Seu sexo é doceE chegou a hora de dizerQue tenho mesmo pensado nistoE talvez seja exatamente este lago limpoQue faça meus pensamentos avançaremDevorarem sua imagemPara sempre bem longe de meus pecadosMeus víciosMeu peso musical
Mas sua encenação é perfeitaSeu equilíbrio é desconcertanteE só posso escrever no escuroPulsar sobre o nada,Pois toda a regra é um dogmaE teu recato é meu lamento,
Não quero vê-lo crescente sobre as ruas da LapaNem quero que tome as armas da GuanabaraMinha imaginação apenas insinuaQue tens uma fogueira orbitandoPela cidade
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Silêncio
sábado, 12 de novembro de 2011
Medo
Um castelo no ar... livre de tanta pressão
Não poderei tocá-lo
Disto ambos sabemos
Mas quanta poesia
E gozo desperdiçados...
Não haveria nenhum grande poeta
Se a civilização fosse mesmo uma realidade
E você sabe o que fazemos o tempo todo
Brincamos de esconder tudo
Porque o objetivo é o que importa
E seu bairro, é um jardim
Enquanto o meu é um farrapo
Você sabe de onde vim
E sabe que não foi fácil alcançar sua casa
O Senado ...
Você sabe que tentei, mas o Ocidente é nosso norte
E só em outro lugar teremos nosso tempo
Até lá, conte-me seus planos
Quanto fogo contra todos
Ah ... isto vale mesmo a pena.
DEUS DE NAPALM
Poderia tocar esta harpa
E poderia ver seu disco pulando
Enquanto invado a cidade
Pelos lados, pela noite, com fogo
Para matar seus povos, de olhos pequenos
Ou crenças antigas
Poderia tocar esta harpa e vê-lo subindo ao céu
Sob a explosão de meu comboio
Sugando suas mulheres
Os cavalos
Os campos
E tudo mais que posso levar
Nenhuma humilhação será esquecida
Soubemos disto quando ainda não ocupavas esta terra,
E comendo este pedaço de pão
Não imaginava que pássaros cospem fogo
Mas agora que já sabe,
Mas agora que já imagina nosso horror....
Feche os olhos diante de nossa passagem
Quando voamos baixo,
Enchendo suas narinas de sais de alumínio,
Feche os olhos
Agora você já sabe, pássaros cospem fogo
Agora você já sabe
Nós acreditamos que nosso deus,
Deve circular entre seu povo
De mão em mão, de casa em casa
Pondo seus filhos de joelho.
sábado, 29 de outubro de 2011
A SOCIALITE E O USINEIRO
De jatinho sobre o Mato Grosso
Vem seu príncipe de mau gosto
Embalado pelo trabalho escravo
Será clicado na noite paulistana
Vestindo Terno Ricardo Almeida
Jantando no Chez Nohad nos Jardins
Vestido de noiva com bordado de pérolas
Ao meio dia, só para os amigos
De tudo o melhor pescado
Tudo doce, enjoativo
Buquê de três mil reais
Sapato com fios de ouro
Lá vem o usineiro Bisneto
E a socialite apaixonada
Lá vem sua mãe toda de azul,
Rindo como pirata que encontra tesouro
E ao cortar o bolo...
Jorra caldo de cana vermelho
Pedaços de mãos e olhos saltam
Sobre a platéia horrorizada
Gritam pelos empregados
Mas ninguém aparece
As mulheres rolam pelo chão, fugindo da festa
E o casal desesperado,
Envolvido pela substância doce e vermelha,
Despenca sobre a mesa de doces finos
Lá vem o usineiro e a socialite.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
O ESTUDIOSO DE ENGUIAS
A pedra
A musa
A falta
Não dita
O desejo
Invenção dos sonhos,
Solidão coroada pelos santos
Ele me punia porque me vendo sorrir
Achava meu sorriso excessivo
E gritava ao mundo
Que sua beleza era a palavra
E que meu exagero destruía seu apetite
Era tudo tão rápido
Como um espirro
Um aperto de mão entre atletas rivais
O olhar de um poeta para a tela vazia
Era tudo tão rápido
Que eu já nem sabia o que era
Se ficasse, seria musa?
Se partisse, seria Maria?
Mais uma vez nas escadas
Na mesma lama dos sonhos
Mais uma vez, e agora ainda mais tarde
A pedra
A falta
Não dita
NÉVOA
E por dias você pode ter esperado,
Com as melhores rosas, sobre a montanha
O corpo varrido por fantasias
De encontro e movimentos doces
Por dias, esperando um barco
Avermelhado
De cores fortes
A toda aquela força
Seria sua tempestade
Nem memória
Nem dor
Nem espada
Nem sonho
Nenhum dos desejos
Cansada
Morta
Triste
Torta
Esquece
E ergue outra história
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
A MORTE DE PENÉLOPE
Lentamente ela começou o preparo
Dos perfumes, das danças e das memórias
A cada dia, tecia sua colcha de desejos
Não mais de espera,
Nem de guerra.
Na estrada, ele sorria, falava e contava casos aos viajantes
Era seguro ir por ali ao seu lado
Grande, altivo e bondoso
Mas suas memórias criaram formas em fogo
Cresciam, harmonizavam sua face
Escondiam suas tramas
Duplicavam seu sexo e negavam a voz de seu amor
E ela dançou furiosamente
Porque havia vida demais para queimar
E a terra apenas consumia seus sonhos
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