sábado, 17 de julho de 2010

olhos

E de comum o que temos?

Perguntou-me o estabanado...

Olhos que nada alcançam,

Ouvidos presos às pedras,

Pernas abarrotadas de memória.

Olhei para os nervos de sua retina,

Estampando o horror dos leitos de hospital

A solidão dos enfermeiros-jardineiros-faxineiros

E o que mais?

Globo de fundo de olho,

Em meu sonho,

Sendo medida, aberta, virada...

Para saber se era digna de entrar em sua sala

Mas em que meu olho difere do seu?

Nem na cor, nem no desejo,

Mas é claro, nos adornos,

De sua cabeça pequena,

Brincos, óculos, fios de cobre...

Seu olho está no seguro

O meu, falta-me vez em quando.

Eu o aperto bem, e vejo

Para onde preciso ir, número 232, 119, 415, direções da cidade

E vejo a lista, o preço do tomate

E vejo, os cabelos grisalhos, vermelhos, amarelos

Seus olhos alcançam maravilhas, castelos, campos,

Taças, cavalos, ricas mesas.

Globo, fundo de olho,

Seus olhos se abrem sobre o tempo, sem parede ou retração,

Meus olhos são como pequenos atletas: saltam, escorregam, pulam, param, e nunca descansam.

FORA SARNEY

Porque não é no povo que reside este jeitinho brasileiro,
Porque este "povo" usado e abusado por todos os lados,
Não merece tanta pornografia,
Imoralidade explícíta.....
FORA SARNEY,
O PAI,
AS FILHAS,
OS GENROS
OS NAMORADOS DAS NETAS,
e tudo que este sujeito representa,
atraso, sinismo, verniz cultural velho, casa de cupins
FORA MIL VEZES.

sábado, 3 de julho de 2010

COMO?

RACISMO
palavra concreta
lados do mar
negação polissêmica
e aqui gritam tanto
parar negar que o céu é azul
que classificação é possível?
que outra classificação?
É o Estado
é absurdo
Mas não cabe apontar o dedo
para as escolas sul africanas
basta olhar para o Jacaré
Complexo da Alemão
Mangueira
com todo o seu samba
Que ciência doutor?
por favor....

quarta-feira, 30 de junho de 2010

SENHORAS DE SENHORES

Senhoras de senhores

No mesmo quarto, outras choraram,

Antes de 1960 e depois

Dispostas sob uma lua que favorecia a percepção das tragédias

Confinamento em alguns metros

Perto da área de serviço

Um corpo negro sob um teto baixo

E eram milhares pela cidade

Que não sabiam dos sabores dos queijos

Sabiam do peso dos cavalos

E demais animais de seu mundo reduzido.

Subindo pelas escadas dia após dia,

Cumprimentavam homens e crianças

Que obrigações eram estas,

Que as traziam apenas as névoas do dia?

Que diziam nas salas, senhores inflamados de aguardente?

Que sorte era aquela

Senhores de escravos

Senhoras de senhores

Escravas de apartamento

De senhores

E milhões de dias depois,

Esposas de senhores

No mesmo quarto onde outras choraram.

Mesmo a lua repete seus avisos,

Não há quem possa desconhecer as tragédias.

terça-feira, 29 de junho de 2010

DIALÉTICA DA FAMÍLIA


Lendo dois textos deste livro e especilamente o caso de uma menina esquizofrência é impossível não fazer comparações com nossa família, nossa socialização e nossos conflitos e momentos decisivos. Filha de pais muito jovens, creio que introjetei com intensidade os valores transmitidos. Não escrevo isto de forma gratuíta para falar de ética e bons costumes. Ao envelhecer percebo initidamente meus gestos. E as vezes balanço os braços na velocidade exata em que meu pai também o faz. Sei que olho o espaço da casa como faria minha mãe e por vezes, este é mesmo um conflito (comum as mulheres de minha geração). A separação entre família normal e patológica me fez lembrar de uma família de classe média com a qual convivi por anos. Diria que da pré-adolescência até a fase adulta. Vivi aceita como uma espécie de "afilhada engraçada" para as meninas, eram 3 irmãs. A família, bastante estabilizada economicamente, tinha exatamente esta figura do pai: um engenheiro, de uma multinacional italiana, provedor. Uma casa com uma grande geladeira, sempre cheia, televisões, telefones, carros, aquários, espaços muito amplos, limpos, iluminados, casa na praia. O interessante é que havia algum ruído na interação entre os membors da família. Ressentimentos e críticas latentes, uma mãe que passava as tardes tomando água tônica, comendo batatas chips e ao telefone. Filhas bem encaminhadas e um pai visivelmente saturado por contas, insatisfações e problemas no almoço de domingo (um dos pratos inesquecíveis de domingo: macarrão com frango, milho e ovos). Os anos passaram com intensificação das contradições. Em um dos fatos marcantes, fui cúmplice em uma mentira: uma das filhas teria um encontro íntimo com seu primeiro namorado. Tudo foi descoberto e a família (incluindo tios, avós, sobrinhos, etc...) desnudou a filha que perdera a moral de confiável. Havia comparação entre as filhas. Uma bebia demais, uma era correta, a mais jovem era artista e tinha mais liberdade para ser singular. Mas não havendo casamento, não havia bençâo dos pais. Assim, uma família pode aceitar que sua filha se case com um indivíduo que conta piadas homofóbicas e tem como projeto de vida, levar 10 anos para terminar uma faculdade. Sonho dos meninos de 40 anos? Fórmula 1. Realização? kart todo sábado. Não importa que se reproduzam violências de tipos variados.
Em um dia de verão, simplesmente o pai em uma discussão desferiu um tapa (muito inesperado e nada fácil de entender) no rosto de sua filha mais velha. Estranho, crescemos em uma época onde algumas surras eram parte da "educação". Eu sabia disto. Mas nunca saiu de minha cabeça aquele caso.
Anos depois, soube por um ex-namorado de uma das meninas, que as surras existiam, que não era exatamente o que eu via.
Uma família que vivia tentando assegurar os melhores postos para suas filhas. E que poderia ver nos amigos, concorrentes em potencial ou companhias não desejáveis.
E assim pessoas se afastam, amizades acabam.
Onde está a patologia?
Mais de 7 anos depois, fiquei sabendo por um colega de faculdade que trabalhava na mesma empresa, que o provedor, admirado na família por seu posto e remuneração, era na verdade, ridicularizado pelos colegas de trabalho, chamado de tio por não modernizar seus métodos. Ou seja, um profissional medíocre, que estava no mesmo lugar durante anos.Prestes a ser demitido Mas na infância, parecia grande com posses, aquários, uma grande casa e uma moral familiar rígida.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Fusões do Brasil

  • Os Bancos Itaú e Unibanco formam agora o maior grupo financeiro do hemisfério sul. Hoje pela manhâ, em uma agência da Tijuca, Conde de Bomfim, comprovei mais uma vez a plasticidade do brasileiro. Uma improvisação de dar inveja ao técnico Dunga. Tudo fora do ar, apenas dois caixas funcionando e todos obtendo informações ali, na própria fila. Não há muito mais do que isto. Um banco fecha, outro abre, some o letreiro anterior e quem puder que se oriente para realizar suas operações. Lentidão. Estamos falando do maior grupo financeiro do hemisfério sul. Se fosse possível aplicar um critério de avaliação em relação quanto ao atendimento em comparação com outros países e bancos, em que lugar este conglomerado estaria? Perguntemos também sobre taxas, convêncios e empréstimos (todo servidor do Estado do Rio de Janeiro é obrigado a receber pelo Itaú).
    O finado Unibanco já tinha um péssimo atendimento, com seu Uniclass, Uniisto e Uniaquilo. Estas idéias estúpidas que geram 4 filas de qualificação do cliente. Golden, Golden Plus, Super Golden Plus....nem a Marselhesa dá jeito.

UMA CASA, DOIS PENSAMENTOS SOBRE MUDANÇA

O que é uma casa? Um lugar de recolhimento ou ostentação... uma informação psicanalítica fundamental? Um concreto armado de lembranças e paredes?

Uma casa é uma possibilidade de mudança.

Contradição.

Permanência

Patologia e Crença.